terça-feira, 2 de junho de 2009

As crises e o poder corretivo do aumento da demanda por liquidez

Alfredo Marcolin Peringer*

Certa vez perguntaram ao então presidente Jânio Quadros porque ele bebia. Rápido, de maneira irônica, respondeu: “porque é líquido”. Um chiste, claro. Esse fato trouxe-me à mente de que se questionasse um economista porque mantém dinheiro em caixa, por certo ele repetiria, desta vez sério: “porque é liquido”. A liquidez em economia é definida em função da facilidade com que os ativos são convertidos em moeda. “A moeda é o único bem que pode ser empregado instantaneamente na satisfação das necessidades humanas”, diz o economista e filósofo americano Hans-Hermann Hoppe (The Yield from Money Held Reconsidered). Mantê-la em caixa assegura proteção contra as incertezas futuras. Ludwig Von Mises, precursor da escola econômica austríaca, nos ensina: “num sistema em que não houvesse qualquer incerteza a respeito do futuro, ninguém necessitaria manter dinheiro em caixa” (Ação Humana). Esse sistema, porém, não existe a não ser no pensamento keynesiano. Nele, o dinheiro está sempre em circulação, ou seja, está sempre sendo gasto em bens de consumo ou de investimento. Caso contrário, é considerado ocioso e improdutivo na economia e irá reduzir a produção e o consumo futuros.
A falsidade da proposta keynesiana fica transparente quando se analisa as questões econômicas pela Praxeologia, ciência da ação humana, da qual a Economia é a parte mais desenvolvida. Nela os indivíduos são seres humanos (e não inanimados!), em constante interação, tentando aumentar os benefícios e reduzir os custos e as incertezas, guiados por estímulos e desestímulos que surgem constantemente no mercado. As crises dão um bom exemplo de como os indivíduos agem. Nessas ocasiões as incertezas crescem, instigando os agentes econômicos a buscarem refúgio na liquidez, via aumento da demanda por moeda. Essa ação, benéfica, acaba: a) majorando o valor da moeda; b) aumentando a proteção contra as incertezas; e c) reduzindo os preços dos bens não-monetários. São resultados essenciais na dissipação rápida da crise. Logo, não há nada mais irracional do que as recomendações keynesianas de se compensar, nessas ocasiões, o aumento da demanda por liquidez com novas emissões de moeda e gastos governamentais. Primeiro, trata-se de uma compensação impossível: são moedas que derivam de ações praxeológicas distintas, no tempo e espaço. Segundo, é uma medida desnecessária: o próprio mercado reordena o sistema de preços. Terceiro, é uma ação deletéria: as novas emissões vão impedir a valorização da moeda, anular a proteção contra a alta da incerteza e evitar a queda dos preços não-monetários, acabando por dificultar e prolongar o ajuste da crise, com custos econômicos e sociais enormes.
Keynes foi irracional até em seu conhecido brocardo: “não adianta levar um cavalo à fonte, se ele não tem sede”, criado em defesa dos gastos governamentais. Ele também é falso: faz uma analogia imprópria da liquidez da água com a liquidez da moeda. Seria mais apropriado se tivesse substituído o cavalo por um gambá: evitaria ao menos outra confusão, a da liquidez monetária com a da etílica.

(www.professorperinger.blogspot.com.br)

Um comentário:

Daniel Ballesteros Calderón disse...

Estimado Nivaldo:

Soy Daniel Ballesteros Calderón, licenciado en Administración y Dirección de Empresas, doctorando y estudiante del Master en Economía Austríaca de la Universidad Rey Juan Carlos I con el Dr Jesús Huerta de Soto.

Me pongo en contacto con usted para poner en su conocimiento que un grupo de liberales austríacos hemos puesto en marcha una web (www.austroliberales.com) que pretende ser un punto de encuentro para todo liberal austríaco de habla hispana (en su caso portuguesa). En ella estamos publicando artículos y monografías de calidad, así como situando vínculos a los principales "think tank" austroliberales del mundo.

Por ello me gustaría poder contar con su colaboración, remitiéndonos artículos propios de nueva elaboración o bien permitiéndonos publicar los ya elaborados, siempre citando las fuentes originales.

Sin otro particular, y agradeciéndole su atención, le envío saludos cordiales.